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Goiânia caminha em direção a um urbanismo com foco nas pessoas

08 de novembro de 2018

Especialista explica que o urbanismo moderno e inclusivo precisa priorizar cada vez mais os pedestres e espaços públicos de convivência. No caso de Goiânia, transporte público eficiente e trânsito seguro são os grandes desafios.

08/11 Dia Mundial do Urbanismo

Após degradante qualidade de vida oferecida pelas cidades na época da Revolução Industrial, em que o trabalho e a produção e larga escala estavam em primeiro plano, urbanistas e estudiosos desenvolveram entre o fim do século 19 e início do século 20, princípios que visavam retomar as cidades para as pessoas, privilegiando uma mobilidade eficiente, o bem-estar e o estímulo à convivência. No começo dos ano 2000, surge o conceito de cidade inclusiva, ainda muito vinculando a questão da acessibilidade, mas a ideia foi sendo aprimorada, e hoje abrangendo também elementos econômicos, políticos, culturais e sociais.

Para refletir justamente sobre esse processo de criação do espaço urbano e sua interação com as pessoas é que foi criado o Dia Mundial do Urbanismo. A data, comemorada há 65 anos em mais de 30 países, foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o intuito de promover a consciência, a sustentabilidade, a promoção e a integração entre a comunidade e o urbanismo. A data é um bom pretexto para avaliar se nossa capital Goiânia está alinhada ou na contra-mão deste conceito de cidade inclusiva, que busca também ser ser sustentável e inteligente.

Para o arquiteto e urbanista Paulo Renato Alves, entre os principais temas que entram no debate sobre o planejamento de uma cidade moderna estão o sistema de transportes, locais para habitação, soluções de lazer e planejamento de áreas verdes, buscando melhorar a qualidade de vida dos moradores. “Mas o principal, ao meu ver, é se pensar um planejamento da cidade a partir da revitalização de seu Centro. A receita de todas as cidades que estavam caóticos, tanto em termos de violência quanto em índices de desenvolvimento humano, todo o processo de recuperação dessas cidades começou pelo centro dessas cidades. Acho que Goiânia, a exemplo do que fizeram cidades como Melbourne (na Austrália) e Medellín (na Colômbia),  precisa revitalizar seu centro dentro de um modelo adensável e a partir dali expandir essa revitalização para outras regiões. O adensamento faz cidade mais democrática, com estrutura mais enxuta, possibilitando um controle e manutenção mais eficientes”, destaca.

Para o arquiteto e urbanista, a questão viária é ainda uma grande desafio da nossa capital e, segundo ele, precisa de mais e urgente investimentos por parte do poder público. Ele, inclusive, sugere o uso das parceria público privadas isso. “Dos 13 corredores viários previstos no Plano Diretor, apenas o Eixo Anhanguera foi efetivamente implantado. Um sistema de transporte e viário eficientes são essenciais para uma cidade que pretende ser inclusiva e inteligente”, frisa o urbanista.

Para Paulo Renato Alves, a cidade precisa de um sistema que interligue, não só as várias centralidades existentes hoje na capital, mas também vários modais de transporte. “Além da criação desses eixos viários, eles precisam ser implantados também sob o aspecto multimodal. Um exemplo são as ciclovias que ainda possuem uma infraestrutura muito pequena em Goiânia e não fazem, de forma eficiente, essa interligação com o transporte coletivo”, avalia.

Mais modernas

Tendo como base uma série de pesquisas de campo realizadas em cidades dos Estados Unidos e Europa, o engenheiro civil Eduardo Oliveira, diretor da Cinq Desenvolvimento Imobiliário, considera que Goiânia, como uma cidade planejada desde a sua criação, está caminhando para ser mais moderna, urbanisticamente falando, e mais voltada às pessoas, mesmo que haja muito ainda a se fazer.

Ele cita, como avanços, algumas iniciativas adotadas nos últimos anos na capital, como a implantação da Zona 40 nas ruas do Centro da capital. A ação, iniciada em 2016, prevê a velocidade máxima dos veículos em 40 km/h no anel da Praça Cívica e nas avenidas Araguaia, Paranaíba e Tocantins. O objetivo principal da mudança, segundo a prefeitura, foi o de reduzir os acidentes dando mais segurança aos pedestres.

Calçadas acessíveis
Outra mudança importante, citada por Oliveira, é a exigência no Plano Diretor da cidade, de construção das calçadas acessíveis, que vão além mera implantação de rampas para cadeirantes. “A vigência do Decreto Municipal 3.057 de 2015 [Lei da Calçada], que atende a Lei de Acessibilidade e obriga a adequação das calçadas em reformas de projetos já executados e nos novos para a acessibilidade, melhorando a locomoção dos deficientes físicos, os cegos inclusive, e de quem possui mobilidade reduzida como crianças, idosos e obesos”, lembra Eduardo Oliveira.

O engenheiro cita ainda outros pontos da cidade em que o urbanismo tem privilegiado os andantes em detrimentos dos carros, como por exemplo, na Alameda Dr. Sebastião Fleury, no Setor Marista, que há três anos foi sinalizada de forma que os motoristas trafegam na via em zigue-zague, uma medida para reduzir a velocidade para 30 km/h, sem uso de semáforo ou radar. O sistema já é adotado em outras capitais como Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro e é chamado de traffic calming.

Planejada
Apesar de admitir que muitos ajustes ainda se fazem necessários, Eduardo de Oliveira diz que Goiânia guarda uma vantagem em relação a grande maioria das cidades brasileiras, o fato de ser uma capital planejada desde sua concepção. O especialista avalia que a cidade não possui problemas graves de urbanismo como ocorrem em outras capitais e o seu crescimento ordenado está dentro de todas as revisões do seu plano diretor.  “Goiânia nasceu planejada com o conceito de cidade-jardim, por isso seus bairros mais antigos possuem ruas mais largas e sinuosas como o setor Sul e mesmo sendo planejada para 50 mil habitantes, Goiânia expandiu de forma mais ordenada e hoje tem se pensado mais no pedestre”, comenta.

Eduardo explica que a cidade hoje, com 1,5 milhão de habitantes, está caminhando ao lado de grandes metrópoles do mundo na busca de um urbanismo moderno e inclusivo, ao pensar e promover os projetos com espaços voltados para o livre caminhar do pedestre e a segurança de todos. “A cidade e seus empreendimentos precisam buscar o tempo todo a proteção e bem-estar das pessoas, com áreas de convivência e também para a livre locomoção dos pedestres. Além de criar facilidades no sistema viário público, favorecendo uma mobilidade eficiente e segura”, frisa.

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